Pontilhismo em sobrancelhas: uma explosão de cor e design

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A micropigmentação realista pode representar fios muito delicados, envolvidos em um esfumado de profundidade que dão ideia de lanugem, formando assim uma textura aveludada.

Contudo, algumas intercorrências podem surgir com a obra do “fio a fio”, principalmente se a pele for oleosa, com superfície áspera, capilares dilatados, e as múltiplas características que fazem o pigmento se dispersar, gerando assim um acinzentado e fios sem nitidez. Por isso, antes de escolher a técnica, é preciso analisar se a pele irá contribuir para os resultados esperados. O principal ingrediente para um trabalho satisfatório é a cor. Um belo design localizado nas medidas do rosto pode perder todo seu valor se a cor estiver impregnada e acinzentada. Diante de uma anamnese, o operador pode eleger uma técnica com resultados realistas, como o Pontilhismo.

O Pontilhismo é uma técnica que surgiu na França em meados da década de 1880 como um movimento pós-impressionista, sendo uma reação aos próprios impressionistas. Trata-se de uma técnica de pintura em que o artista faz desenhos e representações usando pequenos pontos, dando ao observador um efeito óptico diferente da pintura convencional.

Escolher usar a técnica de pontilhismo em peles difíceis de pigmentar favorece a obtenção da cor, pois o grupamento e justaposição de pontos usados para realizar esta técnica resultam em um aspecto aveludado e de tonalidade duradoura. A implantação “ponto a ponto” diminui a dispersão do pigmento na derme e o resultado é um sombreado transparente com efeito de cor natural.

É comum, com o passar do tempo, o desenho das sobrancelhas ficarem irregulares, seja por sucessivas depilações ou por genética, a sobrancelha vai mudando de posição no rosto, e os pelos passam a crescer cada vez menos. Organizar o design realçando a cor pode transformar a fisionomia de quem ficou com as sobrancelhas indefinidas, como no caso da modelo: com pelos ralos e muitas falhas.

Para obter um efeito tridimensional na técnica de pontilhismo, são usadas três cores de pigmento. As três tonalidades sobrepostas representam os três planos distintos que compõem a imagem 3D. Essa complexidade de cores resulta em um desempenho perfeito, entre design, naturalidade e cor.

As tonalidades claras com bases amarelas (ocre ou mostarda) servem como plano de fundo e conferem brilho à cor. Na fase intermediária, os tons com fundamento quente inibem qualquer resultado acinzentado e, na fase de acabamento, são usados pigmentos de base fria, (médio ou escuro) que modulam o dégradê do design.

O sucesso de uma micropigmentação se dá a partir da fixação de pigmentos na pele, conforme técnica proposta ao cliente. Por ser uma implantação física desses pigmentos, uma pele hidratada e limpa certamente irá proporcionar melhor acomodação dessas partículas de pigmentos entre as células da derme papilar.

O cuidado com a pele durante o procedimento facilita o trabalho do operador e causa menos inflamação à pele, usar lubrificante à base de azuleno acalma a cútis e melhora a condução do dermógrafo, assim como higienizar a pele antes, durante e depois da sessão, o Extrato de aloe vera e a hortelã higienizam e hidratam a pele. Os cremes finalizadores são ótimos para ajudar a regenerar o tecido e manter a cor eles contêm Extrato de Cróton e são indicados para o tratamento home care. O dermógrafo com agulhas easyclic é perfeito para fazer pontilhismo, pois auxiliam na precisão dos pontos que são muito importantes. Além de evitar borrões, as agulhas monopontas são as mais usadas neste tipo de procedimento, pois resultam em trabalhos impecáveis.

 

PASSO A PASSO

1 – Desenvolver um design adequado com a fisionomia da cliente e, em seguida, fazer a retirada dos pelos excedentes. Nessa fase o operador já pode decidir como será o dégradê dos tons e a localização dos pontos de luz e sombra.

 

2 – Iniciamos o procedimento com a cor que irá representar um plano de fundo, de preferência, deve ser uma cor clara, o pigmento de cor ocre é o mais usado para conferir brilho e preparar uma textura de base que dará luminosidade ao trabalho.

3 – Em seguida, sobrepondo essa cor clara, usamos uma tonalidade com fundamento quente avelã. Essa fase irá completar a composição de volume do design. A sobreposição deve ser feita de maneira que as duas cores possam interagir entre si, uma não pode anular a outra, é bom visualizar um aspecto de combinação de tons e a perfeita distribuição dos micropontos na pele, que deve ser alternada com suas respectivas cores.

Por se tratar de um procedimento em nível de derme papilar, podem ocorrer alguns sangramentos, e isso acaba dispersando a tinta e alterando a cor. Para prevenir que o sangramento interfira no resultado, mantenha o dermógrafo em um ângulo de 60 graus.

Isso preservará a integridade da pele.

4 – Ritmo e pressão constantes proporcionam harmonia para a cor, o pontilhismo nessa fase final irá realçar o desenho. Nessa hora a escolha da cor pode variar entre os castanhos médio, escuro, escuro intenso e o agrupamento de pontos deve ser modulado em dégradê. A criação das partes mais escuras fica distribuída na linha de sobrancelha (dorsal) e a mais clara fica para o início do desenho. Mas outros dégradês podem ser criados de acordo com o rosto da cliente, diante de uma anamnese é possível avaliar os pontos de sombra mais densos e os mais transparentes.

Com isso, observamos um resultado bastante natural e embelezador, que poder ser usado com segurança em peles oleosas e ásperas, ou simplesmente para realçar sobrancelhas com muitos pelos, mas sem definição do desenho.

 

 

 

Antes e depois do procedimento:

Dicas valiosas para o profissional alcançar

resultados satisfatórios:

  • Sempre seguir um esquema tridimensional na escolha da cor, colocando um plano de fundo (ocre), o segundo plano uma cor de fundamento quente (avelã) e o primeiro plano um castanho frio, mais escuro e que combine com a pele da cliente.

  • Para aumentar a precisão dos pontos e acalmar a pele use o lubrificante a base de azuleno, assim as fases de sobreposição das cores poderão ser visualizadas sem a interferência de eritemas.

 

Marcia Martins,

Micropigmentadora, esteticista e diretora da MAG ESTÉTICA do litoral paulista. Autora do livro “Micropigmentação: Beleza feita com arte”. Conferencista e Palestrante de feiras e eventos de beleza. (São Paulo, Brasil)

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