Laser e micropigmentação

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O primeiro emissor a laser baseado em rubis foi apresentado ao mundo em 1960 por um físico norte-americano Theodor Meinman. Naqueles tempos, os instrumentos a laser eram utilizados na indústria para soldar. Desde então, passaram 57 anos e as tecnologias a laser mudaram tanto que são usadas na medicina com sucesso. O laser é provado ser a tecnologia mais segura para a remoção de micropigmentação de baixa qualidade.

 

Pelos despigmentados das sobrancelhas após o procedimento de remoção a laser de micropigmentação.
Cortesia: Mayra Ferro — Brasil

Um especialista em micropigmentação pode usar laser?

Existem alguns tipos de laser que só devem ser operados por médicos devidamente treinados. São lasers especiais para fins terapêuticos que são ablativos/invasivos. Mas também existem lasers não ablativos que podem ser usados por profissionais de outras áreas após um treinamento adequado. A base de tudo está fundamentada na abordagem responsável e razoável.

É importante lembrar um fato: a tatuagem/micropigmentação não é uma doença e, portanto, não requer diagnóstico. Ou você tem ou você não tem micropigmentação. Considerando que a criação da micropigmentação (a técnica que se revela muito mais invasiva do que a remoção a laser) não requer um médico, então por que seria o caso de trabalhar com lasers sem ablação? Não há uma legislação específica, mas há uma recomendação de que a clínica ou salão onde o procedimento seja realizado deve ter um especialista devidamente qualificado que possa trabalhar com o equipamento a laser ou supervisioná-lo.

Na minha experiência de mais de 10 anos e cerca de 15 mil procedimentos realizados, posso dizer que o tipo de laser mais preferido em termos de custo-eficácia é o Q-Switched Nd: YAG, com comprimento de onda duplo (1064 nm e 532 nm).

А — antes, B — vários minutos depois, C — 1 mês após o primeiro procedimento de remoção a laser da micropigmentação de baixa qualidade das sobrancelhas. Cortesia: Mayra Ferro — Brasil

Ao remover o pigmento de uma sobrancelha, o laser também remove o pelo?

TEsse é outro mito que tende a perseguir a cabeça, não apenas dos clientes, mas também dos especialistas. Um laser, quando usado no modo Q-Switched (ou seja, com pulsos ultra curtos) não causa danos térmicos ao folículo capilar até chegar ao ponto de extinção do pelo. Sabe-se que os lasers mais modernos operam de acordo com os princípios da fototermólise seletiva. Ou seja, o laser está sempre à procura de um alvo específico – um cromóforo. No caso de remoção da micropigmentação, o laser que é mais utilizado é o que procura a melanina como o cromóforo alvo. Mas a melanina também está contida nos pelos, de modo que os pelos das sobrancelhas podem se tornar despigmentados após o procedimento a laser, mas o folículo não danifica. O tratamento ideal ao trabalhar com uma despigmentação de sobrancelhas seria raspar o cabelo para uma melhor aplicação do laser. No entanto, essa ideia causa desconforto em quase todos os pacientes e, portanto, acabamos aplicando o laser sem raspar. Alguns pelos podem ficar um pouco mais claros do que antes, no entanto, com a fase telógena – uma fase calma do crescimento do cabelo – acabada, o cabelo já recuperará sua aparência inicial. Até esse ponto, as opções de maquiagem ou tingimento estão disponíveis.

Veja a matéria completa na Edição 06 da Revista Pigment Brasil.

 

Andre Borring,

licenciado em ciências no campo de biotecnologia, especialista em fotônica a laser e diretor da European Laser School (Portugal), consultor internacional da SOCILASER (Sociedade Brasileira de Laser), membro da European Medical Laser Association (EMLA), fundador e diretor da Arte & Pele Clinic, Portugal

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